CICATRIZ
A cicatriz é a consequência inevitável de toda a cirurgia, seja estética ou não. Portanto, é importante conhecer melhor o assunto e ponderar sobre a conveniência de conviver com ela.
Em outras especialidades, a cicatriz é o sinal da correção de uma enfermidade.
No entanto, a cicatriz não deve ser vista de forma negativa, e ninguém deve perder o sono por sua causa. Hoje as intervenções cirúrgicas estão bastante avançadas, e as suturas cada vez mais aprimoradas, utilizando-se materiais de alta tecnologia.
O tipo de cicatriz vai depender da genética, da cor e qualidade de pele, muito mais do que da interferência do cirurgião.
A cirurgia plástica procura colocar sempre que possível as cicatrizes dentro das dobras naturais da pele do corpo humano. Quando as cicatrizes coincidem com essas dobras naturais, geralmente, ficam imperceptíveis.
CICATRIZ QUELOIDIANA
O quelóide é um distúrbio no processo cicatricial com protrusão e alargamento da cicatriz.
As pessoas de raça oriental e africana tem mais tendência a formar quelóide do que os caucasianos (brancos). Isso se deve em geral, ao fato que as peles negra e amarela apresentam mais colágeno do que a pele branca, e o colágeno é um dos elementos do processo de cicatrização.
Devido à grande miscigenação brasileira, pessoas de pele clara também podem ter cicatriz queloidiana, embora seja menos comum do que nas raças negra e amarela puras.
Da mesma forma, as peles jovens produzem mais colágeno e tem tendência a apresentar mais quelóide do que as peles da pessoas mais velhas, que possuem uma diminuição natural do colágeno.
CICATRIZ HIPERTRÓFICA
A cicatriz hipertrófica pode surgir quando a pele no local do corte ficou sob tensão, levando à sua distensão e alargamento.
Isso também pode acontecer quando o paciente não segue as recomendações médicas e começa a fazer esforços excessivos antes de receber alta. O corpo entende isso como estímulo para intensificar a cicatriz, que pode tornar-se hipertrófica.
Sempre que possível pode ser feito o tratamento da cicatriz hipertrófica com a retirada da mesma e contensão da pele com microporagem, dessa forma, impedindo a distensão.
Se a cicatriz hipertrófica é muito larga, as retiradas podem ser parceladas, realizadas em varias etapas cirúrgicas até se obter uma cicatriz mais estreita.
Existe uma tendência para se confundir a cicatriz hipertrófica com a queloidiana, porém, a Dra. Mariângela esclarece que a cicatriz queloidiana dói, coça e que é mais elevada (protrusa) do que a hipertrófica.
LEMBRE-SE QUE:
A evolução desfavorável de uma cicatriz pode ocorrer independentemente da melhor técnica utilizada.
Não culpe o cirurgião pela cicatriz insatisfatória, já que esse mecanismo é intrínseco e diz respeito á sua carga genética.
Há três períodos distintos de maturação de uma cicatriz que podem variar de acordo com o tipo de espessura da pele:
PERÍODO IMEDIATO: vai até o 30º dia após a cirurgia. A cicatriz é fina e pouco visível.
PERÍODO MEDIATO: vai do 30º dia até o 8º ou 12º mês. A cicatriz apresenta-se transitoriamente espessada.
PERÍODO TARDIO: após o 12º mês. É a fase de resolução final do processo. Retrações e irregularidades começam a desaparecer, e a forma da cicatriz tende a adquirir aspecto plano e definitivo. Todavia esses dados variam de pessoa para pessoa, e há pacientes que vão continuar a apresentar melhora e mudança no aspecto cicatricial até depois do 18º mês.
MICROPORAGEM DA CICATRIZ – Técnica de contenção exercida durante todo o período de maturação que procura impedir o alargamento da cicatriz. Com essa técnica, é possível obter uma cicatrização mais fina e com aspecto melhor.
GUIA DAS CICATRIZES PARA CADA TIPO DE CIRURGIA PLÁSTICA
BLEFAROPLASTIA (plástica de pálpebras)
A incisão é feita na prega natural da dobra da pálpebra superior, e a parte externa coincide com uma prega natural dos chamados “pés-de-galinha”.
Na pálpebra inferior, é feita próximo dos cílios, e a parte externa coincide também com a prega natural das rugas dos pés-de-galinha.
A cicatriz fica escondida.
LIFTING FACIAL (plástica de rosto)
A cicatriz fica por dentro do couro cabeludo e passa também pela frente e por trás das orelhas, acompanhando as dobras e reentrâncias do pavilhão auricular de forma a ficar o mais inaparente possível.
LIFTING DE BRAÇOS (plástica da face interna dos braços)
A cicatriz fica na face interna do braço, mas é uma incisão que não coincide com nenhuma prega natural da região. Dessa forma, ela fica aparente.
A cirurgia tem indicação muito limitada.
RINOPLASTIA (plástica de nariz)
A cicatriz fica dentro do nariz
OTOPLASTIA (plástica de orelhas de abano)
A cicatriz fica atrás do pavilhão auricular
MENTOPLASTIA (plástica do queixo)
A cicatriz fica dentro da boca
MAMOPLASTIA DE AUMENTO
As cicatrizes para colocação das próteses de mama podem estar localizadas na prega natural da axila ou do sulco infra-mamário ou ao redor da aréola.
MAMOPLASTIA REDUTORA
A cicatriz em “T”, invertido, passando pela aréola, pelo polo inferior das mamas e sulco mamário. Neste caso, no local em que a cicatriz coincide com a dobra natural da pele (sulco mamário) e fica praticamente imperceptível.
ABDOMINOPLASTIA (plástica de abdome)
A incisão é semicircular em direção à bacia, acompanhando o formato anatômico do abdome que parece uma lira (instrumento musical). A cicatriz pode ser maior ou menor dependendo da quantidade de pele retirada. Parte dessa cicatriz coincide com a prega natural do abdome sobre o monte de Vênus, sendo dissimulada ainda no pelos pubianos.
CIRURGIA PLÁSTICA DE UMBIGO
A depender da marcação previa no umbigo, a cicatriz pode ficar escondida dentro do cálice umbilical.
LIFTING DE GLÚTEO (plástica do bumbum)
A cicatriz em “asa de gaivota” que é colocada na parte superior do glúteo, não coincide com nenhuma dobra natural da pele.
É uma cicatriz que fica visível sendo apenas disfarçada por roupas intimas e biquíni. Por isso, tem indicação restrita, sendo que a relação custo-benefício deve ser bem avaliada pelo médico e paciente.
PLÁSTICA DE AUMENTO DE BUMBUM
As próteses de silicone de glúteo são introduzidas através de incisão no sulco intra-glúteo, que é a dobra natural da pele da região.
LIFTING DE COXAS (plástica da face interna de coxas)
A cicatriz fica dentro da dobra inguinal natural das pernas
PLÁSTICA DE AUMENTO DA FACE INTERNA DA COXA
A incisão para introduzir a prótese de silicone fica na dobra natural posterior do glúteo.
PLÁSTICA DE AUMENTO DE PANTURRILHA (batata da perna)
A incisão para introduzir a prótese de silicone fica na dobra natural da região posterior do joelho.
LIPOASPIRAÇÃO
As cicatrizes normalmente são colocadas dentro de pregas naturais da pele e são cicatrizes pequenas, apesar disso, podem, como as demais, estar sujeitas a quelóide e à hipertrofia.
A Dra. Mariângela Santiago CRM 45.138 esclarece:
Estas informações possuem apenas caráter informativo e oferece uma visão superficial de cada tema, a Dra. Mariângela Santiago recomenda uma consulta médica para indicação de procedimentos e análise individual de cada paciente.
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COMPLICAÇÕES
Podemos dividir as complicações em duas categorias: aquelas decorrentes do estado de saúde do paciente e as complicações diretamente relacionadas ao ato cirúrgico, ou seja, ao procedimento estético.
É fundamental que antes de consultar o cirurgião plástico, o paciente esteja seguro de sua especialização em cirurgia plástica, competência e integridade profissional e pessoal.
É possível entrar em contato com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e verificar se o profissional faz parte desta sociedade. Entende-se que fazendo parte desta Sociedade o profissional participa de congressos e mantém-se atualizado.
O profissional precisa estar sempre bem informado sobre os novos avanços e a evolução das técnicas se reciclando e participando de congressos.
Também deve procurar conhecer o resultado de alguns casos, inclusive conversar com pacientes operadas.
COMPLICAÇÕES DE SAÚDE
As complicações decorridas de estado de saúde são passiveis de ser evitadas, desde que o cirurgião seja bastante criterioso na avaliação do pré-operatório da paciente e só faça a operação estando seguro de que as condições clínicas da pessoa são favoráveis à intervenção.
É importante verificar se a paciente é portadora de alergias, e quais, se já foi submetida a outras anestesias, se apresenta diabetes ou pressão alta, se é fumante ou tem vida sedentária e outras perguntas mais, para que o médico possa ter um perfil da saúde da paciente.
Através de exames laboratoriais complementares hoje se consegue diagnosticar previamente se o organismo apresenta alguma alteração que possa contra indicar a cirurgia.
Se o resultado dos exames demonstra que a pessoa está com anemia, por exemplo, ela só deverá ser operada depois de solucionado o problema.
A anemia está relacionada à produção de hemoglobina no organismo.
A sua baixa quantidade resulta na diminuição da circulação de oxigênio no cérebro promovendo efeitos colaterais. Dai o cuidado de não fazer a operação no paciente antes da taxa de hemoglobina voltar aos seus valores normais, que oscilam em média entre 12 e 14 g%/mm³.
Outro fator de risco é a alergia. O médico só poderá saber se o paciente tem um fator alérgico ou predisposição, se fizer uma história clínica detalhada no pré-operatório.
Caso a pessoa já tenha alergia a alguns medicamentos, estes devem ser evitados para prevenir complicações.
Se o paciente não sabe a que remédio é alérgico e ocorrer uma reação, hoje há recursos que podem reverter o quadro.
O mesmo acontece com quem nunca recebeu uma anestesia ou entrou em contato com drogas que fazem parte do anestésico, e sofre um processo alérgico, durante a aplicação. Para essa situação igualmente há antídotos que na maioria das vezes revertem o quadro, oferecendo maior segurança no ato cirúrgico.
É muito importante que o cirurgião investigue se a pessoa é fumante e ou não. Se ela for uma grande fumante será uma paciente que poderá apresentar um potencial maior de risco. É aconselhável que as pacientes suspendam o cigarro, pelo menos, 30 dias antes de se submeterem, às cirurgias de rosto e abdome.
Não existe contra-indicação de Diabetes no ato cirúrgico, desde que esta esteja sob controle, o mesmo acontece com a Hipertensão Arterial. Os pacientes que tem problemas de pressão podem desenvolver complicações, mas se esta estiver controlada, e o cardiologista acompanhar o pós-operatório, é possível fazer a cirurgia.
Quando o colesterol é muito alto, é recomendável baixar a taxa antes da operação. Para se fazer um procedimento e um pós-cirúrgico seguros, é fundamental que o paciente nunca esconda do cirurgião seus sintomas e que remédios esta fazendo uso.
Infelizmente, muitas vezes a omissão da verdade pode evoluir para uma complicação grave.
COMPLICAÇÕES ESTÉTICAS
Outro grupo de complicações são inerentes da cirurgia plástica em si. As complicações estéticas podem variar dependendo do procedimento e da região tratada.
É importante ressaltar que hoje há um índice de segurança muito grande e os resultados costumam ser bons.
Dentro dos diversos procedimentos existem as complicações maiores e menores, mas todas são passiveis de correção.
Faz parte do protocolo da Cirurgia Plástica a paciente ser informada que a operação poderá evoluir pra um retoque.
OLHOS
Na cirurgia de pálpebra a complicação mais grave é a retirada excessiva de pele fazendo com que haja uma retração, sobretudo na região inferior. Isso promoverá alteração desgraciosa no olhar. Há varias maneiras de corrigir o problema. Inclusive com enxerto de pele. Esse tipo de complicação é muito raro, porque se o profissional é habilitado isso não irá acontecer.
Daí a importância de tirar informações do cirurgião antes de operar.
ROSTO
A principal complicação estética no lifting facial é quando a pele é esticada em demasia deixando a fisionomia plastificada.
Esta é uma falha causada pela pouca habilidade do cirurgião. Porém poderão ocorrer outras complicações dentro da cirurgia de face, que independem do médico. A mais comum é o hematoma que não representa perigo se diagnosticado a tempo. O hematoma é o acumulo de sangue que fica sob a pele que foi descolada. Para corrigir a situação, é necessário retirar este sangue acumulado. Com isso o hematoma é eliminado e não compromete o resultado.
Outro problema são as paralisias faciais. Quando existe lesão de alguma inervação decorrente do próprio trauma e manipulação cirúrgica, esta pode evoluir numa paralisia facial temporária. Isso é bastante comum e reversível. A recuperação costuma dar-se entre 3 a 6 meses. Se a paralisia é definitiva, há o recurso da micro cirurgia para reestruturar o nervo lesado.
Também pode ocorrer a necrose de pele, principalmente nos grandes fumantes, pois a nicotina diminui a vascularização dos tecidos.
Entende-se por necrose a falta de circulação de sangue no tecido, resultando em uma perda de tecido da região que foi necrosada.
Existem vários recursos para correção desta região comprometida, contudo é importante ressaltar que estas complicações mais sérias felizmente são raras de acontecer.
NARIZ
Na rinoplastia praticamente não existe complicações, a não ser quando o cirurgião diminui demais o nariz e compromete a estética, deixando o paciente estigmatizado com o aspecto de operado. Isso pode ser corrigido com aplicação de enxerto ósseo, por exemplo, para levantar o dorso do nariz.
MAMAS
Nas plásticas de redução ou levantamento das mamas as complicações estéticas são raras, embora possa ocorrer necrose da pele em alguns casos, o que é pouco comum.
Geralmente a necrose evolui para uma cicatriz larga, passível de correção. Outra conseqüência são as cicatrizes queloidianas ou hipertróficas. Felizmente podem ser corrigidas.
Podem acontecer assimetrias de posicionamento de aréolas, ou assimetria de tamanho de mamas, mas estas intercorrencias são reparadas com retoques.
Nos procedimentos com colocação de prótese, uma das complicações eventuais é o hematoma. O recurso aplicado é drená-lo. O procedimento cirúrgico é igual ao que se faz na face. A drenagem do hematoma é muito importante para evitar infecção secundaria e oportunista.
ABDOME
Uma das grandes complicações das cirurgias plásticas de abdome é a embolia pulmonar, felizmente raríssima, devido à manipulação do tecido gorduroso. Durante esse processo alguns pedaços de células gordurosas podem entrar na corrente sanguínea e chegar até o pulmão entupindo a arvore pulmonar. Quando diagnosticadas a tempo, as embolias pulmonares não são fatais, e se o paciente está sendo operado num hospital ou clinica especializada, há medicamentos que podem reverter o quadro.
Outra intercorrência da cirurgia é o seroma ou hematoma, um acumulo de liquido ou sangue, entre a parede abdominal e a musculatura, que pode ser eliminado benignamente por meio de punções ou drenagens.
Antes da abdominoplastia ou lipoaspiração, o medico deve pedir um exame que avalia a predisposição à trombose venosa. Com essa postura, ele poderá prever se o paciente tem predisposição genética à embolia.
Em caso positivo, fará uso de uma medicação especifica para diminuir a viscosidade do sangue, minimizando a possibilidade de o paciente vir a fazer embolia no pós-operatório.
Pacientes com esse perfil precisam a operação em hospitais ou clinicas que tenham uma boa retaguarda e UTI.
Outra complicação eventual é a necrose do retalho abdominal, que também é passível de correção.
LIPOASPIRAÇÃO
Uma das intercorrencias da lipoaspiração é a irregularidade da pele, decorrida da pouca habilidade do cirurgião, porem também passível de correção.
Nas lipoaspirações podem ocorrer manchas na pele, que com o uso de clareadores, desaparece o problema.
Seromas também podem ocorrer e são drenados, evoluindo benignamente. Perfuração de vísceras e embolia são complicações raríssimas de acontecer.
As complicações estéticas em outras regiões do corpo são semelhantes e podem ser tratadas como já foi explicado.
A Dra. Mariângela Santiago CRM 45.138 esclarece:
Estas informações possuem apenas caráter informativo e oferece uma visão superficial de cada tema, a Dra. Mariângela Santiago recomenda uma consulta médica para indicação de procedimentos e análise individual de cada paciente.
